Edição 8 - Julho/2008

Câncer colorretal
Prevenção inclui alimentação saudável

O câncer colorretal, que atinge o intestino grosso e o reto, é o terceiro mais comum no mundo, considerando homens e mulheres. Nos países desenvolvidos, este tipo de câncer ocupa a segunda posição. No Brasil, em 2008, deverão aparecer 12.490 novos casos em homens e 14.500 em mulheres. Estes valores correspondem a um risco estimado de 13 casos novos a cada 100 mil homens e 15 para cada 100 mil mulheres. Os dados são de estudo do Inca (Instituto Nacional do Câncer). Especialista em câncer colorretal, o Dr. Benedito Mauro Rossi, médico do Hospital A.C.Camargo, bate na tecla da prevenção, que engloba um conjunto de medidas que podem, sim, diminuir o risco de câncer. “Muitas vezes nos prejudicamos por adotar hábitos de vida incompatíveis com a preservação de nossa saúde”, afirma o oncologista. No caso do câncer colorretal a prevenção inclui, além de ficar longe do cigarro e do álcool e praticar exercícios físicos, consumir alimentos saudáveis. Neste último aspecto, afirma Dr. Benedito, os estudos nutricionais têm confirmado o poder preventivo de alguns alimentos. Confira a seguir, a entrevista que o especialista concedeu a newsletter Atuação.

Atuação - Como a alimentação pode ajudar a prevenir o câncer colorretal?
Dr. Benedito Mauro Rossi
- Não existe a comida milagrosa capaz de curar ou de evitar completamente o câncer colorretal ou qualquer outro tipo. Adotar uma alimentação saudável é importante para diminuir o risco de ter câncer, mas essa medida deverá ser tomada em conjunto com outras igualmente fundamentais, como não fumar ou beber e praticar exercícios físicos regularmente. Estas medidas integram a prevenção primária da doença. Paralelamente, o indivíduo em conjunto com seu médico deve estar atento à necessidade de exames preventivos que serão determinados de acordo com as características e história de cada um. É preciso estar atento aos fatores de risco e a má alimentação é, certamente, um deles.

Atuação - Além da má alimentação, tabagismo e álcool a que outros fatores de risco é preciso estar atento em relação ao câncer colorretal?
Dr. Benedito Mauro Rossi
- O mais importante é a história familiar de câncer de cólon e reto, além das doenças inflamatórias crônicas intestinais. Além disso, a idade também é considerada um fator de risco.

Atuação - Há estudos que comprovam que uma alimentação saudável diminui o risco de câncer colorretal?
Dr. Benedito Mauro Rossi
- As estatísticas já nos revelam há anos que a incidência de câncer colorretal em pessoas que adotam uma dieta com base em gorduras animais, com baixo consumo de frutas, vegetais e cereais, é maior do que nas que colocam em seu prato diariamente vegetais, verduras, frutas, alimentos integrais, mais peixe e menos carnes vermelhas e processadas.

Atuação - O senhor poderia citar algum estudo interessante?
Dr. Benedito Mauro Rossi
- Uma pesquisa realizada com 520 mil europeus apontou queda de 40% no risco do câncer de cólon entre as pessoas que consumiam, pelo menos uma vez por dia, verduras crucíferas como couve-manteiga e couve-flor. Ainda nessa família do bem estão o repolho e brócolis. Além disso, o efeito parece potencializado à medida que se aumentam os teores de fibras no cardápio, quando comemos outras folhas, por exemplo, rúcula ou espinafre e, na sobremesa, frutas, como laranja.

Atuação - Qual é o maior vilão da alimentação em relação ao câncer colorretal?
Dr. Benedito Mauro Rossi
- Não só para o câncer colorretal, mas para a saúde global da pessoa, os embutidos e as carnes processadas prejudicam o organismo. Além de produzidos com carnes vermelhas geralmente muito gordurosas, ainda trazem aditivos químicos denominados nitratos que, no estômago, podem se transformar em nitritos. Estes, por sua vez, se convertem em nitrosaminas, que constitui um agente cancerígeno. As carnes brancas embutidas entram no mesmo processo. Também deve ser evitada a ingestão de alimentos processados como hambúrgueres e bacon, por exemplo. O problema desses alimentos é a gordura saturada, um ingrediente de risco.

Atuação - Em meio ao avanço das pesquisas e toda essa discussão sobre alimentação e prevenção de câncer, é comum as pessoas adotarem modismos?
Dr. Benedito Mauro Rossi
- Sim. Os mitos acabam sendo criados. Já tivemos a moda do alho, tido como protetor contra o câncer. É verdade que o alho é um alimento saudável, com conteúdo que pode baixar o risco, mas sozinho não vai proteger contra o câncer. Atualmente, brócolis é o alimento da vez. Mas o fato é que não existe comida milagrosa capaz de proteger contra o câncer. O que a observação e os estudos revelam é que uma alimentação saudável, aliada, como já disse, a um estilo de vida sem tabaco, álcool e sedentarismo, contribuem para diminuir o risco de se desenvolver diversos tipos de câncer, inclusive os ligados ao aparelho digestório, como é o caso do colorretal.

Atuação - Quais são os principais sintomas do câncer colorretal?
Dr. Benedito Mauro Rossi
- Em seu estágio inicial, o câncer colorretal não costuma apresentar sintomas. Isso dificulta o diagnóstico precoce tão importante para aumentar as chances de cura. Por esta razão, é muito importante ficar atento a alguns sinais, tais como: mudança de hábito intestinal, diarréia ou prisão de ventre recorrentes, sangue nas fezes, evacuações dolorosas, gases constantes, desconforto gástrico, constipação intestinal, perda injustificada de peso e cansaço constante. A presença de um ou mais destes sintomas não significa, necessariamente, que a pessoa está com câncer. Eles podem ser causados por diversas doenças gastrointestinais, como úlceras ou inflamação do cólon. No entanto, devem ser investigados.

Atuação - Existem exames preventivos? Quando devem ser feitos?
Dr. Benedito Mauro Rossi
- O médico realiza o exame clínico no consultório, avalia a presença de sintomas e conta com ajuda de exames especializados como a colonoscopia, por exemplo. A colonoscopia permite ao médico, com ajuda de um instrumento chamado de colonoscópio, visualizar as paredes do cólon e, se necessário, retirar uma pequena amostra de tecido para biópsia. Este exame é capaz de detectar a presença de pólipos antes que eles se transformem em câncer. Indico a realização de exames preventivos a partir dos 50 anos de idade. Uma colonoscopia a cada dez anos é suficiente para aqueles que não apresentam sintomas ou antecedentes familiares. Neste último caso, no entanto, recomendo a realização da colonoscopia antes da faixa etária dos 50, calculando dez anos a menos em relação à idade do caso mais jovem ocorrido na família. Na dúvida, procure seu médico.



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