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Tratamento do Desconforto e Estereotaxia

Terapêutica Antálgica e Cirurgia Funcional Central da Dor e Estereotaxia

A dor é parte integrante do ciclo da vida (gestação, nascimento e morte), responsável por desencadear a defesa do indivíduo com uma função protetora. Mas, ao mesmo tempo, pode ser causa de sofrimento extremo para quem sente e para quem convive com a pessoa que sofre pela dor.

O que pode ser considerado dor? Há diferentes enfoques relacionados à dor, mas é preciso estabelecer o que diferencia dor aguda de dor crônica. A dor aguda é causada por uma lesão e deve desaparecer com a resolução da causa desencadeante, em até 6 meses. A causa desencadeante da dor pode ser inflamações, traumas ou infecções, entre outras.

A dor crônica é a que causa sofrimento físico, emocional e financeiro ao indivíduo. Sua causa desencadeante pode não estar mais atuante no momento atual ou não ser passível de remoção, como na dor oncológica, por exemplo. O tratamento exige uma atuação multidisciplinar (neurologia, neurocirurgia, psicologia, psiquiatria, anestesiologia, fisiatria, e técnicas de medicina física, dentre outras).

Mas a dor gera sofrimento, que é um conceito mais global que prejudica a qualidade de vida do sofredor. O serviço de Tratamento do Desconforto e Estereotaxia do Hospital do Câncer A. C. Camargo integra a complexidade do estudo multidisciplinar e multiprofissional da dor. Estatísticas indicam que a dor acomete 60 a 80% dos pacientes com câncer, sendo o fator mais determinante de sofrimento relacionado à doença, mesmo quando comparado à expectativa de morte.

Dor Oncológica

Estatísticas mundiais apontem que a dor oncológica atinge entre 58 e 80% dos pacientes adultos portadores de câncer. Dores moderadas ou intensas estão presentes em 30 a 40% dos pacientes, em estágios intermediários, e 87% em fases avançadas. Em crianças, as dores estão presentes 50% das consultas hospitalares, e em 80% dos procedimentos terapêuticos e de diagnóstico. As dificuldades inerentes à avaliação da dor em crianças sugerem diferença nesses índices, os quais acreditamos serem subestimados em relação à criança.

A terapia oncológica desenvolveu, nos últimos anos, recursos para melhorar a sobrevida e qualidade de vida dos pacientes pós-diagnóstico. São utilizados métodos mais precisos, menos invasivos, agressivos e dolorosos, e surgiram novas possibilidades de combate ao câncer, com estratégias diferenciadas para o combate à dor.

Um dos aliados na diminuição da dor e seu tratamento é a multidisciplinaridade, com o envolvimento de especialistas de diferentes áreas, objetivando resolver o mesmo problema, visto sob enfoques diferentes. Na década de 80, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a dor associada ao câncer como uma "emergência médica mundial", estabelecendo normas para o tratamento da dor no câncer, internacionalmente reconhecidas e aceitas.

Avaliação da dor

A proposta pela OMS estabeleceu critérios para o uso de analgésicos segundo estratégia terapêutica conhecida como "escada analgésica", que pode chegar até três degraus, de acordo com a intensidade da dor. Esta técnica é adotada sempre que a queixa de dor se torne crônica, sem previsão de resolução a curto-prazo.

Na escada analgésica, o "primeiro degrau" propõe a utilização inicial de analgésicos comuns e anti-inflamatórios, para dores de leve a moderada intensidade. Se a dor persistir ou aumentar acrescentam-se analgésicos opióides fracos. Este é o "segundo degrau". Se a dor aumentar ainda mais, atinge-se o "terceiro degrau" quando há a substituição de analgésico opióide forte no lugar do fraco.

As causas da dor do câncer podem ser divididas didaticamente em: dor induzida pela doença, incluindo a dor pelo acometimento tumoral de ossos, nervos, vísceras, ou tecidos moles; dor secundária ao tratamento, como cirurgia, quimioterapia, radioterapia, e imunoterapia. A avaliação da dor é fundamental para o controle da causa e do sofrimento.

O auto-relato do paciente deve ser a fonte primária de avaliação, mas hoje existem inúmeras escalas de quantificação da dor, recurso que objetiva o melhor entendimento sobre a dor do doente para obtenção do melhor controle da dor. Este recurso deve ser utilizado por pacientes e cuidadores, sempre que possível.

A equipe do serviço de Tratamento do Desconforto está permanentemente disponível ao atendimento do doente portador de dor, oncológica ou não oncológica.

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